Vi que essa semana uns pesquisadores ganharam o Prêmio Nobel por causa de uma tal “partícula de deus”? O que é diabos é isso?
Bom, vamos por partículas, quero dizer, partes. O nome oficial dela é “bóson de Higgs”. Um de seus “descobridores” é o cientista escocês Peter Higgs, da Universidade de Edinburgo. Outro pai da ideia é o belga François Englert. E, como você já sabe, eles ganharam o Nobel de física de 2013 por causa disso.

Legal, mas o que é o bóson de Higgs?
É uma partícula que está associada a um campo, também chamado de Higgs. Ela seria o responsável por dar massa às partículas.

Olha, eu já não estou entendendo nada e essa é só a terceira pergunta.
Pelo menos você não está descontando a raiva em mim. Seguinte: você sabe o que são átomos, certo? Elétrons, prótons e tal?

Sim, esses eu sei: são as partículas que compõe as coisas, certo?
Certo. A gente aprende na escola que eles são as unidades mínimas da matéria. Bom,  a verdade é que existem muito mais partículas do que ensinaram pra gente. São 12 na verdade. E o bóson de Higgs desempenha um papel essencial nessa história.

Tá, e que papel é esse?
Ele é o responsável por dar massa às 12 partículas. Mas, olha, eu também não entendo muito bem como tudo isso funciona, vou ser sincero. O que é importante entender dessa história é o seguinte: O Higgs e o Englert tinham criado uma teoria sobre o bóson faz vários anos. Eles imaginaram, como base em cálculos e outros conhecimentos, que o bóson poderia existir. Isso foi importante porque ajudaria a confirmar as teorias da física de partículas*.

Ih, você me perdeu…
Bom, vamos lá de novo: a física de partículas* é uma teoria sobre como as partículas são e comportam. O problema é ela ainda é uma teoria, que só pode se confirmar com experimentos muito complexos. O bóson de Higgs é um dos elementos que explicam e sustentam essa teoria, certo? Bom, em 2012, os cientistas do Grande Colisor de Hádrons conseguiram detectar o bóson de Higgs. Isso é importante porque mostra que os cálculos e experimentos nesse campo estão indo na direção certa. Por isso a dupla ganhou o Nobel.

Tá, mas ainda está muito geral isso aí. Explica mais, aí. 
Adoraria, mas eu simplesmente não consigo ir além do que eu te disse. Para isso, eu teria que estudar física. Estou aqui para tentar te ajudar a entender os aspectos mais gerais dessa história. Assim, quando você ler a notícia de novo em algum portal, vai saber por cima do que se trata.

Está fugindo pela tangente, né?
Hm, não estou. Se você realmente quer saber mais sobre esse assunto, por que não faz uma pesquisa? Existem várias fontes por aí. Aí você pode até escrever um texto explicando melhor o que é o bóson de Higgs. Prometo que faço propaganda dele se for bacana e posso até colocar no “saiba mais” aí embaixo. Que tal?

Putz, agora estou sem tempo e tal. Sabe como é, né? Tenho umas coisas URGENTES pra entregar no trabalho,
Sei sim. Ô se sei!

*Corrigido

COMPLEMENTO:
O jornalista Bruno Scatena fez a gentileza de nos ajudar e escrever uma ótima explicação adicional sobre o tema. Leia abaixo:

A ideia de campo e partícula
Campo e partícula são ideias matemáticas. Não conseguimos compreender sua natureza em outras categorias de pensamento. Seria como imaginar a manifestação física de uma geometria que não experimentamos por meio de nossos sentidos, como a usada para descrever as Teorias da Relatividade. Não faz sentido para nossos sentidos o espaço-tempo ser curvo, para usar o clichê que a gente sempre vê por aí. Da mesma forma, a ideia de partícula como uma peça fundamental não faz muito sentido porque automaticamente traz a questão: e essa peça fundamental, do que é feita? Já saímos do campo da física e estamos falando de metafísica, agora.

Campo e bóson de Higgs
A questão é a seguinte. No Modelo Padrão, as três forças da física – força forte, força fraca, eletromagnetismo  – vêm das simetrias (que é um outro papo cabeludo). Essas forças são “transmitidas” por tipos específicos de partículas, os bósons. Mas basta saber que as simetrias da força fraca (uma das forças que opera na escala subatômica) fariam com que esses bósons tivessem massa igual a zero, o que não foi observado em certas condições. Então a teoria precisava ser modificada para conciliar essa contradição. Daí a necessidade – e aqui a ideia de necessidade é importante, porque tiveram que fazer uma gambiarra mesmo – do campo de Higgs. É ele que pacifica a existência das simetrias e as partículas com massa diferente de zero. A necessidade desse campo também trouxe a necessidade de um bóson associado a ele, o bóson de Higgs. E é justamente esse bóson que podia ser previsto e, portanto, passível de um experimento como este último do Colisor de Hádrons.

Saiba mais:
O Globo: Nobel de física premia ‘partícula de deus’
The Guardian (em inglês): O que é o bóson de Higgs?
The Guardian (em inglês); Perfil de Peter Higgs
Livescience (em inglês): Infográfico sobre o bóson
New York Times (em inglês): Infográfico animado sobre essa história toda

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3 comentários

  1. Izabela

    Ótimo texto. Percebemos que assim como outras teorias, essa também precisa de experimentos e novas teses. Como o normal, durante o acontecimento das experiências e desenvolvimento do estudo, o pessoal da época não acompanhará a evolução, mas com certeza as próximas gerações iram usufruir positivamente dessa nova descoberta.

  2. camila

    o texto realmente é excelente !
    Me fez sanar as duvidas que tinha em relaçao ao assunto !